Relatório do mês

15Nov10

Ontem, o mundo havia acabado. Tentei roubar uma caminhonete de luxo com minha irmã, enquanto meus pais tomavam vinho na varanda e meu marido andava à esmo pelas ruas. Antes de dar o bote, fiz uma consulta psicológica com um amigo, que tentava curar o meu pensamento, há tempos embaralhado. Este mesmo amigo morfou-se em Wagner Moura, sabe-se lá porquê. Mas, não o Wagner Moura de Tropa de Elite. E sim o Wagner Moura dos comerciais das lojas Marisa, encantador e sexy. Este começou a cantar uma música dos Kinks, Plastic Man, boa e verdadeira, e o vi transformar-se em Ray Davies, irmão cantor e compositor da banda. Foi um dia longo.

Alguns dias antes disso, eu fugia de vampiros que queriam me matar, pois haviam me transformado mas eu me recusava a morder alguém. Eu pulava de telhado em telhado, fugindo, amando aquela liberdade, o poder de correr em alta velocidade, dar saltos fenomenais e voar, voar mesmo. Consegui fugir para a casa da minha avó, que fica à duas ruas da minha, e lá perdi os meus poderes. Mas, a aventura não acabou aí. Me vi sendo perseguida por crimonosos, pois era uma policial infiltrada. Eles queriam a minha cabeça. Eu era a melhor atiradora do mundo e consegui me safar, suando e vitoriosa.

Antes disso vivi uma aventura no mar, passeando pelo mundo em um iate com meu marido. Enfrentamos tempestades, completas com trovões e relâmpagos e ondas monstruosas e torrenciais noturnos. Também tivemos dias bonitos, com o mar em paz e a vista mais tranquila que se pode imaginar. Visitamos lugares longínquos e utópicos, ilhas paradisíacas e montanhas com picos de neve. Foi a nossa primeira lua-de-mel e também a nossa boda de diamantes. Inesquecível.

Quase esqueci do dia em que tive que fazer um tour pelas grandes empresas da cidade, pois elas estavam concorrendo pra ver quem ficava comigo. Lá ia eu: uma hora numa, duas horas noutra. Lenga-lenga aqui, lero-lero ali. Promessas de bônus anuais inacreditáveis, planos de carreira que jamais imaginei possíveis. E os cheques? Vou nem dizer quantos zeros tinham, senão a inveja floresce. Cada uma me queria mais que a outra e a briga era grande. Lembro de ter terminado o dia cansada e com um sentimento de superioridade, como se meu ego tivesse inflado um pouco, algo que raramente acontece. Nesse dia, eu me senti importante e tive certeza do meu valor.

Pronto, esse foi o relato incompleto do meu mês.

E eu vou te dizer uma coisa – sonhar cansa, viu?



One Response to “Relatório do mês”

  1. 1 Deborah Fernandes

    Sou sua irmã mesmo! Quando o cara virou Wagner Moura, eu sabia que era um sonho! kkkkkkk
    Ficou massa… bem Stephen King!


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