E Pronto!

30Jun10

Eu não leio jornal. Não acompanho o que está acontecendo na minha cidade, nem meu bairro, nem muito menos na minha rua. Não sei quem foi preso, autuado, indiciado. Não sei quais festas aconteceram, nem quem as frequentou. Não estou por dentro do que todo mundo está.

Eu leio livros. Conheço estórias e histórias de centenas de pessoas fictícias e reais. Eu choro pelos meus personagens e participo de suas vidas. Aprendo sobre coisas importantes que aconteceram no mundo. Não conheço toda a história da Segunda Guerra Mundial, mas conheço estórias de muitos que passaram por ela, alguns que a sobreviveram e outros que não tiveram tanta sorte. Não tenho muita noção da Revolução Russa, mas conheço o povo desta nação e já li sobre como a sociedade funcionava e funciona, como as pessoas sofreram e como sobreviveram ou não.

Não leio revistas. Não sei quem visitou a Ilha Caras este mês, nem o que anda acontecendo no Congresso, não sei que novidades estão na moda, nem quais livros ou filmes estão no Top 10 da Veja. Não vejo diferença entre todas as revistas que circulam nas bancas. São todas iguais, só mudam de nome. E são usadas para fazer com que todos nós sejamos iguais, só mudando nossos nomes. Escolho ser diferente. Não leio revistas.

.Quando quero ler sobre algo novo, pesquiso na internet. Não estou interessada em notícias gerais. Gosto de coisas específicas. Amo o Wikipedia. Tudo que me interessa eu pesquiso e aprendo. Sei coisas que nenhum conhecido sabe ou quer saber. Meu conhecimento é só meu, é peculiar a mim. E talvez o que eu goste não seja do interesse geral da nação. E talvez seja melhor assim. Mas, pelo menos é único e existe. Realmente, existe.

Não assisto novelas. Não gosto de mesmice e Deus sabe que novelas se repetem. Não gosto de mentiras e nem de ser iludida sobre o mundo em que vivo. As empregadas domésticas são lindas e gostosas, pessoas de classe média moram em apartamentos de luxo e em mansões. Todo mundo usa jóias. No nordeste todos falam errado e com sotaques pesados e estranhos e no sul todos são sofisticados e inteligentes. Não gosto de  estereótipos e odeio quando, apesar de tudo, no final, tudo acaba bem.

Assisto seriados americanos. São mais inteligentes, mais toleráveis, mais realistas. Quer saber sobre o mundo das drogas e o quanto seus filhos são espertos, assista Weeds. Quer saber como pessoas sofrem com doenças e como deve funcionar a aceitação de filhos homossexuais, assista United States of Tara. Quer rir com piadas sobre o mundo nerd e que só um verdadeiro nerd entenderia, assista The Big Band Theory. TV à cabo foi a minha salvação e o download gratuito de temporadas inteiras de seriados foi o meu Dream Come True. Assisto o que quero, na hora que quero e para ir ao banheiro é só apertar “pause“.

Não sigo tendências. Odeio quando acho uma roupa bonita em uma loja e a vendedora diz “Leve, mulhé… Atriz fulana usou um igual no episódio de ontem da novela tal”. É capaz de me fazer desistir e mudar de loja. Tendências vem e vão e são uma maneira fácil de nos fazer gastar dinheiro e perder roupas, pois daqui a seis meses aquela roupa será considerada brega. Mudando um pouco de assunto… Alguém mais acha estranho o fato de que, aparentemente, TODA calça jeans veste “super bem”? E quando uma vendedora tenta fazer com que você prove uma calça que da pra ver de longe que não chega nem nas coxas? Isso não vai me fazer comprar mais na loja. Vai me fazer sair correndo chorando porque estou gorda e nada cabe em mim.

Eu sigo meu próprio estilo. E ele é exatamente aquilo que eu sinto quando veja uma determinada roupa e me apaixono. Pode ser um cachecol em pleno verão. Pode ser um vestido rosa choque quando a tendência é usar verde. Pode ser um sapato que nunca vou usar, mas que é lindo de morrer e vale a pena dar 200 reais só para vê-lo brilhar no meu guarda-roupa. Roupa é o que sinto. É o que me faz sentir bem, sexy, confortável. Esta semana eu disse para o meu marido “Esse pijama é horrível” e ele respondeu “Ele é confortável?”. A conversa parou por aí e eu fui dormir com o meu pijama horroroso e confortável e super bem comigo mesma.

Eu acho a vida linda quando todos a acham feia. Eu acho que botar jumento pra puxar carroça é maldade e contra as leis da natureza, enquanto todos me dizem que é normal e aceitável. Eu acho rock a melhor música do mundo, enquanto minha avó diz que eu já devia ter deixado essa fase pra trás. Eu acho TiTiTi e Contigo duas revistas do inferno cujos editores são discípulos do capeta, enquanto algumas pessoas não conseguem perder uma só edição. Eu amo pessoas que não sabem o que TiTiTi e Contigo são. Eu nunca dei “Boa noite” a Cid Moreira, não o faço com William Bonner e não o farei com o próximo. Dizem que eu não sou uma brasileira de verdade, mas eu acho que sou muito mais brasileira do que muitos. Eu amo os Estados Unidos, mas sou perdidamente apaixonada pelo Brasil.

A verdade é que já me chamaram muito de Maria-vai-com-as-outras. Na verdade, eu sou Larissa e queria mesmo é que todo mundo viesse comigo.

Eu não sou especial, nem mais do que ninguém. Eu sou eu e assim eu sou feliz. E pronto!



3 Responses to “E Pronto!”

  1. 1 Tereza

    Autenticidade é tudo.
    Nelson Rodrigues já dizia: “Toda unanimidade é burra”. Mesmo concordando e validando a frase de efeito. rs

    =)

    • 2 Lala

      Adorei e já twitei a frase de Nelson Rodrigues. Nunca li nada dele, mas está na fila. =)

  2. 3 Janayna

    adorei!!! eu não sou a única “do contra”, achei alguém pior que eu!! hahaha…


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