Importantismo

17Jun10

Eu sempre quis ser uma pessoa importante. Gostaria de ser respeitada aonde chegasse, ser chamada para dar entrevistas e sentar ao lado de celebridades, receber prêmios e medalhas para o que quer que fosse, ser citada em jornais e revistas e ver meu nome sempre em negrito quando estivesse escrito.

Quem não gostaria?

A gente tem isso. Isso de querer ser importante. Quando pensamos em pessoas importantes, vem logo à cabeça presidentes, ministros, rock stars, escritores de calibre, poetas, atores e o escambau à quatro. Parece que ser importante virou sinônimo de ser celebridade. Alguém que é importante está sempre na televisão, no cinema, na rádio ou nos jornais. Ser importante é estar na mídia.

Não. Não é assim. Ser importante não é aparecer e ser conhecido e reconhecido por todos. A importância de um indivíduo não é medida pela quantidade de livros que ele escreveu, pela quantidade de vezes que apareceu em Oprah ou no Late Show do David Letterman, pelas entrevistas que concedeu a Jô Soares.

A importância de um indivíduo não pode ser comprada ou vendida, nem muito menos aplicada em ações na bolsa de valores. Ela não pode ser roubada nem emprestada. Não pode ser demitida nem contratada. Ela é inata. E é concedida. Ela é cultivada e pode crescer, aflorar, dar frutos.

Para ser importante é necessário ser importante para alguém. Os Beatles são importantes porque tocaram os corações de milhões de pessoas ao longo de décadas e mais décadas. Dostoievski, Tchekov, Tolstoi e Gorki são importantes porque compartilharam com o mundo lágrimas, feridas, vidas mundanas, guerras e sociedades injustas. Tom Hanks e Julia Roberts são importantes porque, através da tela do cinema e da nossa televisão, fazem chorar, rir, enraivecer, amolecer e tornar felizes milhões de pessoas ao redor do mundo.

Mas, não são só os famosos. Nossos professores são importantes pelas inúmeras lições que nos passaram ao longo dos anos. Nossos amigos são importantes por nos compreender, por nos querer bem e nos ouvir em momentos de choros indiscretos no chão do banheiro. Nossa família é importante por estar sempre perto, mesmo estando longe, por se importar conosco e nos amar incondicionalmente, apesar de tudo.

E para mim, o que é ser importante?

Quando meu filho chora, que dá berros e faz escândalos intermináveis e esperneia e chuta e grita, pode-se fazer fila com todo tipo de gente nela para acalmá-lo: avós, avô, tias e tios, primos, etc, e nada parece funcionar. A verdade, é que só eu consigo acalentá-lo e fazê-lo ficar em paz e dormir bem. Só eu posso desfazer a angústia que se arrebate sobre ele repentinamente, sem motivo algum, e o faz ficar triste e inconsolável. Só com um pouco de amamentação ou o som da minha voz ou o embalo que só eu sei fazer. Só isso o faz ficar feliz e de bem com a vida novamente.

A verdade é que a pessoa mais importante para o meu filho sou eu.

E isso me faz sentir a pessoa mais importante do mundo.



One Response to “Importantismo”

  1. 1 Dessa

    q lindinho


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