Hospital Experience

09May10

Bom. A novidade do momento é que o meu filhinho nasceu! Noah Fernandes Montilla, 2.8 kg, no dia 25 de abril de 2010. Ele nasceu com 35 semanas, exatamente um mês antes do previsto, mas graças a Deus está saudável e perfeito.

Este post, no entanto, não é para falar sobre Noah ainda. Falarei mais sobre ele no futuro. Por enquanto, quero relatar as minhas experiências nas duas semanas anteriores ao parto.

As duas semanas anteriores ao grande evento foram de grande confusão para mim e para a minha família. Não relatarei os detalhes, mas em duas semanas fui atendida por 8 médicos diferentes e cheguei a ir ao hospital umas 4, 5 vezes. Eis o que vi, vivenciei e aprendi:

1. Dr. Google!

Não sei porquê, mas o médicos parecem ter um medo terrível do Dr. Google. Inclusive se, no meio de uma consulta, você mencionar ao seu médico que “leu no Google” seja o que for, ele provavelmente revirará os olhos. Todos fazem isso. Eles tem um preconceito enorme. Minha ginecologista me avisou, por sinal, que eu não confiasse no que encontrasse na internet e que se eu tivesse qualquer dúvida, ligasse para ela. Isso é complicado com um GO, porque eles quase nunca podem atender ao celular. Principalmente nas horas em que bate as maiores dúvida: na madrugada.

Outra coisa, as coisas que encontramos na internet, principalmente as de sites confiáveis, são escritas por profissionais ou pelos menos especialistas na área. Durante a minha gravidez eu acompanhei o processo de desenvolvimento da minha gestação através do BabyCenter Brasil. Este site é internacional e todo o seu conteúdo é escrito por médicos especialistas em ginecologia, obstetrícia e pediatria. Então, porque eu não deveria confiar nele? Além de tirar minhas dúvidas em momentos de angústia, ele me ajudou a detectar um problema no meu fígado que os meus médicos não deram atenção e que eu, por conta própria, fui atrás dos exames e comprovei que estava certa.

Bom, se eu continuar neste assunto, não saio do lugar. Só sei que eu entendo o medo dos médicos de uma pessoa trocar uma verdadeira consulta por uma leitura na internet e que, se a pessoa não tiver cuidado, ela pode correr sérios riscos. Mas também sei que a internet facilita a nossa vida de todas as formas e que se for utilizada de forma inteligente pode ajudar a prevenir doenças, detectar problemas e acalmar os nervos. Falo por experiência!

2. O que aconteceu com a higiene?

Durante a minha estada no hospital (as 3 vezes que fui), eu fui “picada” várias vezes. Na primeira vez, o técnico de enfermagem foi tirar um pouco de sangue para os exames. Ele enfiou uma agulha enorme em mim, uma mulher grávida de oito meses, SEM LUVAS. Eu estou ficando doida ou não há algo de errado nisso? Ao longo dos dias, fui percebendo que a utilização de luvas no momento de utilizar agulhas era praticamente arbitrária. Alguns usavam, outros não. A maioria não. Então, repito: o que aconteceu com a higiene?

3. Enfermeiro Vs. Técnico de Enfermagem.

Aqui no Brasil existe uma distinção de funções e cargos na área de enfermagem. São três os cargos: enfermeiro (nível superior), técnico de enfermagem (nível médio) e auxiliar de enfermagem (nível fundamental). Lá no hospital não vi nenhum auxiliar, mas vi muitos técnicos. Na verdade, quase todos os profissionais com os quais lidei quando estava lá eram técnicos de enfermagem. Eles colhiam meu sangue, administravam a medicação no soro, verificavam minha pressão, atendiam quando eu chamava para algo, tiravam minhas dúvidas e até me acalmavam quando eu estava preocupada com algo. O enfermeiro, ou enfermeira, passava uma vez ao dia para me ver e perguntava: “Está sentindo bem? Comendo direitinho? Tá fazendo cocô e xixi?”. Depois tchau! e até amanhã.

Eu não vou, obviamente, dizer que o enfermeiro não tem função nem nada. Com certeza, ele está lá para administrar o posto de enfermagem e fazer mais alguma coisa. Mas o quê? As enfermeiras que conheci eram todas loiras, usavam maquiagem, perfume forte, andavam cheias de ouro e de salto alto. TODAS! E fora as perguntas que citei acima, não as vi fazendo mais nada. Qual é a verdadeira função? Bem, sei lá. Só sei que criei um bom respeito pelos técnicos. Fora a falta de utilização de luva, eles são bem competentes.

4. Cadê o respeito para com os pacientes?

Isso é uma questão que percebi desde o primeiro dia. É incrível como os funcionários do hospital não demonstravam NENHUM sinal de respeito pelos pacientes. Primeiro, quando entrei na enfermaria de gineco pela primeira vez, fiquei deitada na maca ao lado da porta. Como estava tendo muitas contrações fortes, fiquei de posição semi-sentada com as pernas dobradas (mais ou menos a posição de parto). Simplesmente todo mundo que entrava na enfermaria deixava a porta aberta e as pessoas que passavam no corredor (e eram muitas) tinham visão clara das minhas pernas abertas. Minha mãe e Diego exercitaram bastante as pernas se levatando para fechar a porta toda vez que alguém entrava.

Segundo, a enfermaria era pequeníssima, talvez 4m x 4m, com três macas separadas por cortinas. Tinha uma placa enorme pregada na porta dizendo “SILÊNCIO”. No entanto, todas as técnicas de enfermagem que trabalhavam dentro da enfermaria travaram, enquanto eu estava lá, conversas longas e pessoais no celular em voz alta. Do tipo: “HOJE EU VOU PRO FORRÓ LÁ DAS BRENHA. VOU COM TONHÃO E TU?”. Eu não estou brincando. Eu lá morrendo de dor, uma menina do meu lado que estava perdendo o bebê e a funcionária na nossa frente combinando a farra do final de semana no celular. Fora a televisão altíssima ligada em canal evangélico com um pastor gritando para a platéia.

Terceiro, em determinado momento, me passaram um remédio cuja administração era, bem… Não era pelas vias mais usuais. Uma enfermeira tinha que entrar no quarto para aplicar e todos que estavam lá tinham que sair. Já era constrangedor pedir para as pessoas saírem para realizar o “procedimento”, pois todo mundo sabia que tipo de procedimento era. Só sei que na primeira que a enfermeira foi realizar o procedimento, a porta do quarto se abre e entra uma técnica de enfermagem. A cena: eu com as pernas abertas, a enfermeira colocando o negócio e a porta TOTALMENTE aberta com uma desconhecida parada no meio do quarto. A mulher falou “Dona fulana, preciso que a senhora assine esses papéis”, a dona fulana responde “Você pode aguardar, que eu estou no meio de um procedimento?”, a mulher respondeu “Claro, dona fulana”. E simplesmente ficou lá em pé, com a porta aberta, enquanto a dona fulana terminava o procedimento. Eu fiquei tão apavorada, desconcertada, que sequer tive coragem de mandar ela “fechar a merda da porta!!!!”. Será que a porcaria dos papéis não poderiam ter esperado? A mulher tinha que entrar no apartamento privativo de uma paciente e interromper um procedimento? Grrrrrrrrrrrrrrrrrrr!

Mas o pior de todos os episódios (e olhe que não citei todos aqui) foi quando eu estava já na sala da cirurgia, anestesiada e pronta para ser cortada quando escutei as enfermeiras conversando lá do outro lado da sala e o seguinte foi dito: “Pois é, você acredita que o bebê estava morto? Morto, minha filha. A gravidez toda normal e quando o parto foi feito o bebê tinha morrido”. Na hora eu gritei: “Vocês podiam mudar o assunto de um bebê morto para algo mais alegre?”. Minha médica, já com o bisturi na mão levou um susto e deu uma baita de uma repreensão nas enfermeiras. Muito sem noção!!!

5. Intuição materna.

Para finalizar, uma das coisas que mais me deixou triste e angustiada nestas últimas semanas foi o fato da minha intuição não ter tido a importância devida. Desde o início da agonia (duas semanas antes do parto) eu comecei a explicar para os médicos o que estava sentindo e o que achava que estava acontecendo e, em todos os casos, eles disseram que eu estava errada, que eu não me preocupasse, que o procedimento era aquele e que tudo ia ficar bem. Minha mãe ficou na corda bamba entre eu e os médicos, sem saber a quem apoiar. Afinal, se ela desse razão aos médicos, estaria me abandonando; mas, se me desse ouvidos, poderia estar comprometendo a minha saúde por eu não ter o conhecimento e experiência deles. No entanto, no final, em 90% dos casos eu estava certa. Estava certa quando falei que estava com problema no fígado e que isso era o que estava me causando uma coceira infernal. Estava certa quando falei que o bebê ia nascer antes do tempo e que não adiantava tentar inibir o parto com drogas. Estava certa quando falei que o bebê estava sofrendo. Estava certa quando falei que os remédios não estavam surtindo efeito.

Resultado.

Não vou dizer que odeio hospital ou esse hospital em particular. Tenho total noção de que vivo no Brasil e que as pessoas contribuem para que a experiência de uma pessoa seja ruim ou boa e que no meu caso eu não tive sorte. Eu queria que a ocasião do nascimento de Noah tivesse sido mais feliz, mais fácil. Mas, foram duas semanas de sofrimento, de choro, de angústia. E mais uma dentro do hospital, tomando remédios fortes, sem dormir e longe do bebê, que estava na UTI. Agora é que estou começando a aproveitar a maternidade.

Não sei que tipo de processo ajudaria a melhorar o atendimento em hospitais e maternidades, mas sei que estamos precisando de reformas urgentes. Todo paciente, desde aquele que chega com um resfriado ou uma coceira no pé até aquele em estado grave, que está sofrendo, merece o respeito de todo funcionário de um hospital. TODO funcionário: o médico, o enfermeiro, o maqueiro, o assistente administrativo, o ASG, o cozinheiro. E isso faz uma grande diferença para o tratamento ou a recuperação de um paciente.

Espero que ninguém passe o que eu passei. Se alguém passar, que tenha voz e coragem para dizer o que tem que ser dito e para reivindicar os seus direitos.

And so it goes.



One Response to “Hospital Experience”

  1. 1 Debinha

    Beeeem pouquinho dramática essa minha irmã! kkkkkkk RELAXE, irmãzinhaaa! Noah finalmente chegou! É pq ele quis que o nascimento dele fosse lembrado pra sempre! Se tivesse sido normal, sem história, que graça teria? eheheh Beijoo


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s


%d bloggers like this: