Lavando roupas… A saga!

07Apr10

O processo de lavagem de roupas sempre foi bastante simples para mim, enquanto morava na casa dos meus pais. Eu colocava a roupa suja no cesto e depois de dois ou três dias ela aparecia, milagrasamente, limpa, cheirosa, passada e dobrada em cima da minha cama. Era uma maravilha.

Quando saí de casa e vim morar com Diego em nosso novo apartamento, imaginei que seria mais ou menos a mesma coisa. Afinal, ninguém me disse que as coisas eram diferentes quando você estava fora do ninho. Cheguei abafando, achando tudo lindo, fácil e simples.

A primeira indicação de que algo estava terrivelmente errado aconteceu depois de uns 4 ou 5 dias, quando eu procurava um lugar para colocar a roupa suja e não encontrava nada. Quando menos percebi, tinha cuecas, calcinhas, vestidos, camisetas e meias sujas pendurados em qualquer lugar meramente pendurável da casa. Se você tivesse um gancho e fosse acoplado a alguma parede, nós penduraríamos algo sujo e fedido em você. Em menos de uma semana a casa tinha nova decoração.

Depois de alguns dias nessa agonia, fui almoçar na casa dos meus pais e minha mãe me apresentou ao novo presente que ela tinha comprado para nós: dois cestos de roupa novíssimos. Meu olhos encheram de lágrima e eu me emocionei toda. Dizem que toda mãe tem um sexto sentido. O da minha mãe farejou a roupa suja acumulada lá em casa. Graças a Deus!

Problem solved! Não é? NÃO! Porque quando levamos os cestos para casa e colocamos a roupa suja dentro, os dois ficaram totalmente cheios, esbarrotados. E agora? Algo tinha que ser feito. Decidimos, enfim, lavar a roupa.

Na primeira semana, decidimos levar a roupa em uma lavanderia. Ficamos orgulhosos de ter feito uma decisão tão importante e séria. Levamos 40 peças para a tal “melhor lavanderia da cidade” com melhor custo/benefício, indicada por mais de 3 pessoas. Entre as 40 peças, encontravam-se calcinhas, sutiãs, cuecas e meias, que ao meu ver não deveriam ter ido junto, pois poderíamos tê-los lavado em casa. Mas como foi Diego quem comandou esta primeira incursão, deixei passar. Quando Diego foi buscar a primeira leva, a conta deu R$ 68! Desculpe-me. Vou reafirmar de maneira mais enfática. SESSENTA E OITO CONTO! Um real e setenta centavos por peça. Ou melhor, R$ 1,70 por cada meia (e não cada par), calcinha e cueca. Como diz o meu pai em momentos de incredulidade extrema: É O FRESQUÉ? Depois de passar o susto da conta monstruosa de umas meras roupinhas sujas, decidimos mudar o nosso approach e resolvemos, então, lavar tudo em casa mesmo.

Para algumas pessoas, lavar roupa pode ser algo muito simples. Para mim, no entanto, foi necessário um curso passo-a-passo longo e cansativo por telefone, ministrado por Mainha. “Roupas claras separadas das escuras?”, “Colocar todas as toalhas juntas?”, “Não colocar todas as roupas de uma vez?”, “Escolher o ciclo de acordo com o que for lavado?” e “Utilizar amaciante neutro?” foram alguns dos meus questionamentos iniciais. Não sabia que precisava estudar para lavar a roupa. Fora que isso aconteceu por volta das 10 horas da noite de uma terça quente e suada, antes de Diego chegar em casa do trabalho.

Sei que, no final das contas, consegui lavar toda a roupa. Foram duas lavagens na terça a noite e uma terceira na quarta, esta realizada por Diego Montilla, turismólogo e empregada doméstica na ausência de sua esposa (eu!). Ô felicidade essa. Mas, felicidade de pobre dura pouco, como diz minha mãe.

Colocamos as roupas limpas e secas no balcão do escritório enquanto íamos lavando as outras que já acumulavam nos cestos recém-esvaziados. Perfeito, não é? NÃO! Porque depois de 2 semanas, a roupa continuava toda espalhada no balcão do escritório. Todo dia, ao chegar em casa, eu ia lá espiar para ver se a roupa estava passada e dobrada. Mas, não. Dia após dia ela continuava toda lá, amassada e misturada e a cada semana a pilha aumentava, pois íamos lavando mais e mais roupas. Até que um dia tive a brilhante idéia de guardar toda a roupa que não precisava ser passada. Peguei calcinhas, cuecas, camisetas de time, shorts sport e vestidos de malha. Guardei todos no guarda-roupa, bem dobradinhos (para esconder as marcas amassadas). A pilha diminuiu na metade.

Nesse mesmo mês, contratamos uma diarista. Menina boa, simpática, beata. Na primeira semana dela, ela deve ter achado estranho aquela ruma de roupa amassada no escritório. Deve ter pensado “que gente estranha, essa”. Na segunda semana, ela percebeu que éramos recém-casados donos-de-casa iniciantes que não tinham tempo (ou tinham muita preguiça) de arrumar a roupa limpa e ela mesma tomou a iniciativa de passar as 179 peças de roupa que decoravam o nosso escritório. Quando cheguei em casa que vi o escritório vazio, fui correndo para o quarto olhar o guarda-roupa e quase que choro de tanta felicidade. Só faltei agarrar Santinha (como meu avô a chama) pelos braços e rodopiá-la pelo ar.

Não sei se por pena ou porque o apartamento é relativamente pequeno e não há muito o que fazer depois de algumas horas, ela começou a lavar e a passar a roupa toda semana, o que nos livrou deste fardo horrorendo. O único problema é que ela só vem uma vez na semana, então passamos 6 dias da semana economizando roupas para lavar tudo na quinta. Nada é perfeito, mas tudo se encaixa.

Sei que depois de algumas semanas acostumada com esse bem-bom de roupa lavada e passada, como a vida devia ser sempre, acabei ficando mal-acostumada. Esta semana decidi lavar logo a roupa, pois estava querendo usar algumas coisas que estavam sujas. Já era tarde da noite, estava cansada e com sono, mas coloquei tudo na máquina e botei pra lavar. Diego ficou de pendurar quando chegasse em casa. No dia seguinte, ao acordar, ele vem comentar que acha que algo deu errado na lavagem. Segundo ele, quando foi pendurar as roupas, percebeu que elas não tinham cheiro de nada, nem de sabão, nem de amaciante. Estranho, pensei. E o choque veio logo em seguida. As roupas não tinham cheiro de nada, pois eu simplesmente joguei tudo lá dentro e apertei “Iniciar”. Não coloquei amaciante, nem sabão, nem absolutamente nada.

É óbvio que levei a malhação do século nessa manhã. Ele me carregou da cama, despenteada e sem escovar os dentes lá para trás para lavar tudo novamente. Juntos, colocamos TODA a roupa de volta na máquina, abrimos a gavetinha, colocamos o sabão e amaciante, fechamos a tampa e apertamos “Iniciar”.  Voltamos pra cama para dormir mais um pouco. No final da manhã, ele me acorda já tirando onda por causa da minha falha na noite anterior, para tirar a roupa da máquina e colocar no varal mais uma vez. Quando chegamos lá que abrimos a tampa da máquina, encontramos a roupa úmida, como era para estar, mas a gavetinha do sabão e amaciante estava aberta com todo o seu conteúdo ainda lá, intocado.  Esquecemos de fechar a gaveta e a roupa, pela segunda vez, não estava limpa.

Fechamos a merda da tampa, mandamos a máquina praquele canto e fomos tomar café-da-manhã de roupa suja na padaria.

Santinha que se vire com negócio de lavar roupa. Eu que não quero mais essa dor-de-cabeça!

E tenho dito!



5 Responses to “Lavando roupas… A saga!”

  1. 1 The Mommy!

    Essa tá ótima!!! Morri de rir!!!!
    Agora imagine que no próximo mês haverá mais uma pilha de fraldas, cueiros ( ou pano de xixi!!! ), babadores, meinhas, luvinhas, culotes, macacao com pé, macacão sem pé,etc, que deverão estar lavadas com sabão de côco, manualmente, passadas e guardadas em gavetas da cômoda, (de modo organizado e ja pré-determinado) , do quarto do bebê!!!!

    • 2 Lala

      Meu Deus! É verdade, então, que mãe é uma profissão que deveria ter carteira assinada, bônus anual e participação de lucros! =)

  2. 3 Debinha

    Tá vendo? Foi abandonar a irmã! É nisso que dá. Tem que sofrer pra aprender a ser a dona de casa exemplar que nossa mãe é. Ainda bem que eu comecei a prestar atenção mais cedo. Sinto que não vou sofrer tanto quanto minha big sister! kkkkkkkkkk

  3. 4 Dessa

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  4. 5 Evandro Minchoni

    Eu tô me divertindo aqui… e vou tentar aprender algumas coisas com a experiência alheia.


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